| Por Maria Cruz

Gress Panaria Portugal

Uma marca de referência

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A marca Gres Panaria Portugal está no mercado desde 2006. Quatro anos antes, o Panariagroup havia adquirido a primeira unidade industrial em Ílhavo, antiga Maronagres e atual Margres. Passado um ano, adquiriu a segunda unidade industrial, que, mais tarde, viria a tornar-se Love Tiles. Margres e Love Tiles são duas marcas portuguesas de referência na área da cerâmica. Desde a sua fundação, até ao momento, “o balanço é positivo” diz-nos, em entrevista, o Presidente do grupo, Marco Mussini. Marco nasceu em Sassuolo, Itália, em 1971. A cerâmica Panaria nasceu no ano de 1974 e tornou-se, de imediato, uma grande paixão para o seu pai, Giuliano Mussini. Marco iniciou o seu percurso profissional no Panariagroup, em Itália, em janeiro de 1998. Trabalhou dois anos no departamento financeiro e comercial e, depois, como diretor de marketing da marca Lea Ceramiche, até finais de 2002. No final desse ano, iniciou a aventura em Portugal quando o Panariagroup decidiu investir, numa primeira fase, na aquisição da unidade industrial no exterior. Surge, assim, Aveiro nos planos de Marco, e é aqui onde vive com a família.  

Como olha (Marco Mussini) para o mercado das cerâmicas?

O mercado da cerâmica está profundamente ligado ao setor da construção. E, portanto, é um mercado que se vê afetado por fases cíclicas. Eu próprio já testemunhei, várias vezes, surtos de crescimento logo seguidos de períodos de declínio. A crise mais recente, uma crise económica global, foi, sem dúvida, uma das mais complicadas de sempre. Hoje, podemos afirmar que a nossa empresa superou bem esse período, mas foi um teste difícil de ultrapassar. Foi uma oportunidade de renovação, para estudar e aplicar novos esquemas organizacionais. Hoje, estamos melhores do que ontem, mais fortes e competitivos para enfrentar os desafios que o mercado nos possa propor. O mercado da cerâmica é muito complexo, mas há sempre imensos players envolvidos. É um mercado que produz não só nos países latino europeus com uma forte cultura de cerâmica (e refiro-me a Itália, Espanha e Portugal), mas também ocorre em todos os países onde a economia e o setor da construção civil está em crescimento ou com um forte desenvolvimento demográfico. Depois, exportar é também cada vez mais difícil. A forma de sobreviver a isto é tentar crescer diversificando os investimentos por diferentes mercados de forma a distinguir o produto através da qualidade, design e marketing, e continuar a investir no serviço.

A tendência será cada vez mais os clientes consumirem mais as cerâmicas?

O consumo global da cerâmica está a crescer e estou convencido de que continuará a evoluir. O produto cerâmico tem conseguido manter a qualidade, a estética e a técnica que outros produtos não têm sabido garantir. O mais difícil é saber quem vai dominar este mercado. Estou certo de que o número de players irá diminuir à custa de fusões e incorporações. Os grandes volumes e números estarão depositados, cada vez mais, nas mãos de grupos globais que têm força de investimento e inovação. Mas isso não impede a capacidade de sobrevivência ou de crescimento para médias e pequenas empresas. Estas, por sua vez, terão que ser ainda mais inovadoras e investir em produtos diferenciados, de forma a acrescentar valor.

Que satisfação lhe dá estar à frente de um projeto com esta dimensão?

Sinto um grande orgulho por tudo o que o meu pai conquistou. O que estou a fazer neste momento poderia, quem sabe, estar a ser mais bem feito por outros. Mas o que faço é fruto de empenho e muita paixão. Faço por me cercar de bons funcionários e gestores de confiança, que estão comigo lado a lado para me ajudar nas decisões estratégicas. Considero-me, por isso, uma pessoa afortunada. Não faço o meu trabalho por satisfação pessoal, mas para tentar garantir o desenvolvimento e crescimento da empresa que represento.

Trata-se de uma empresa líder na produção de Pavimentos e Revestimentos Cerâmicos, com o apoio das suas marcas Margres e Love Tiles. Que papel assumem ambas as marcas na Gres Panaria Portugal (GPP)? 

São duas marcas que se complementam, mas que, simultaneamente, são muito diferentes. A Love Tiles, muito mais vocacionada para o mercado residencial, com ambientes e design com mais cor e de forte componente gráfica; a Margres opera para um mercado mais específico, de espaços mais comerciais e com produtos vocacionados para o alto tráfego.

Em 2015, ocupou o 37.º lugar entre as 1500 maiores empresas de Aveiro. Que importância teve para a GPP esta classificação?

Esses dados são referentes ao ano de faturação de 2015. Portanto, estamos seguramente acima dessa posição se olharmos para o volume de faturação que aumentou em 16,5% face ao ano anterior. Sabemos do nosso valor e acreditamos que conseguimos superar-nos. Os planos são os de continuar a crescer, através do aumento do volume de faturação, em países que nesta altura são residuais, e através da nossa estrutura comercial alargada com prospetores em vários países de forma a podermos chegar junto dos prescritores.

Em que mercados atua, mais especificamente, a GPP?

Através das marcas Margres e Love Tiles temos, obviamente, um peso substancial no mercado nacional. Exportamos aproximadamente 65% do nosso produto, por isso ambas as marcas têm também um peso considerável no mercado francês, alemão, espanhol, italiano e na Grã-Bretanha. Queremos continuar a consolidar a nossa posição nestes mercados.

A GPP é uma empresa que trabalha a cerâmica, com referências a nível mundial. Que importância tem, ou assume, a cerâmica na vida do consumidor final? 

Houve uma mutação no gosto do cliente. Hoje, há mais exigência e maior especificidade na escolha de um determinado produto. Por esse motivo, também nos obrigou a uma mudança no sentido de perceber como despertar e criar uma necessidade junto do nosso cliente. Conseguimos, através de uma política forte de marketing e comunicação, evocar os ambientes mais acolhedores. Aqueles que pareciam inalcançáveis hoje estão ao alcance dos nossos clientes.

Das duas marcas que representam – Margres e Love Tiles – qual é a que representa maior volume de produção?

O maior volume de produção, em metros quadrados, atingido na Unidade Industrial de Aveiro é aproximadamente o dobro da de Ílhavo, dado ser uma unidade maior. Para esta diferença também contribui a tipologia de material, dado que a Unidade de Ílhavo produz produto técnico, o que tem implicações também na capacidade produtiva. No que respeita a faturação anual, e refiro-me a valores do ano passado, atingimos a marca histórica de 70 milhões.

Uma empresa com cerca de 500 colaboradores assume um papel fulcral na economia do país. Que espetativas futuras têm para a empresa?

A Gres Panaria Portugal tem vindo não só a crescer, mas a investir, especialmente no setor tecnológico. Nos últimos anos, fizemos avultados investimentos, na ordem dos 18 milhões de euros e perspetivamos continuar a investir com a renovação do nosso parque industrial e aquisição de mais máquinas. No mês de setembro apresentámos, em Itália, uma nova marca para a gama alta designada de MIMIC Concept. Esta marca irá entrar numa nova área de atividade que é a dos sanitários. Desde lavatórios, bases de duche e móveis, falamos de produtos produzidos em grés lâmina, um produto de excelência da Margres e que vai permitir levar a resistência e a durabilidade do grés porcelânico para os sanitários.

De que forma dão a conhecer a GPP ao mundo?

Temos crescido na nossa política de comunicação, tanto interna como externa, e temos crescido no nosso plano de marketing. Diferenciamo-nos pela forma como comunicamos não só a nossa marca, mas os nossos produtos e nada é deixado ao acaso. Desde as feiras, eventos, comunicação social e redes sociais, hoje é importante saber comunicar de forma correta. Depois, os nossos showrooms, em Aveiro e Lisboa, pensados para um público mais técnico, como arquitetos ou designers, são espaços nobres e que pela sua qualidade e design arrojado poderiam estar em qualquer capital do mundo. Estamos presentes em várias feiras internacionais e isso é decisivo. Em setembro estaremos presentes na Cersaie, em Itália, a maior feira do setor, onde apresentaremos as novas coleções, por acreditarmos ser a grande montra em termos internacionais. Finalmente, continuamos a estar presentes em vários eventos, especialmente dedicados à arquitetura e a atuar na área de Brand Content, através participação no programa Querido Mudei a Casa.

A marca Margres iniciou o seu processo de produção no Ílhavo em 1982. É uma das marcas de referência de grés porcelânico a nível mundial. É a melhor escolha para a construção de espaços de excelência?

As duas marcas comunicam de forma muito distinta. A Margres está mais vocacionada para espaços comerciais onde há uma maior necessidade de investir em produtos adequados a espaços de alto tráfego. E porque é uma marca mais vocacionada para arquitetos, as suas coleções são mais minimais, com características mais técnicas.

Já a marca Love Tiles é mais recente, mas também bem posicionada. Em que difere esta marca da Margres?

É uma marca que se alimenta muito do design e das tendências de decoração. Quando a Love Tiles surgiu em 2008, em substituição da marca Novagres, foi uma questão legal ligada ao registo da marca. A obrigatoriedade de abandonarmos o nome revelou-se uma oportunidade de fazer nascer uma nova marca e renovar todos os conceitos de comunicação que estávamos a utilizar para promoção do produto. Criámos uma marca focada nas pessoas e alterámos a nossa forma de estar no mercado para uma assinatura centrada nas experiências e nas vivências das nossas/vossas casas através de soluções de decoração. Do passado ficaram os alicerces, a qualidade de produto e de serviço a que os nossos clientes estavam habituados.

É caso para dizer: com os produtos da GPP as casas/espaços tornam-se elegantes, requintados e personalizados?

Estas duas marcas 100% portuguesas não se acomodaram. Procuraram surpreender e fazer sempre melhor, por muito bem que tenha corrido a tentativa anterior. É preciso ouvir o mercado e o que ele tem para nos dizer. E é isso também que nos diferencia. Temos produtos de muita qualidade, elaborados com um design cuidado e estratégico.