| Por Maria Pires

Vítor Almeida

"Sou apaixonado pelo meu trabalho"

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Nasceu no Porto e é arquiteto desde 1999. Começou por desenvolver projetos de arquitetura, mas no decurso do seu trabalho foi sendo cada vez mais solicitado para projetar também a decoração de interiores. Abriu, por isso, em 2003, o primeiro showroom eu.sei.que.vou.te.amar, alargando a sua atividade profissional à arquitetura de interiores e design de mobiliário e outros objetos. 14 anos volvidos, Vitor Almeida abre o segundo showroom, um espaço que racionaliza a área de exposição e amplia as zonas de trabalho. Apaixonado pelo que faz e contagiando os que o rodeiam, Vitor cria ambientes sofisticados e personalizados, porque “todos os clientes são únicos, assim como os trabalhos produzidos”.

 

Quem é Vítor Almeida? Um arquiteto, um designer de interiores, um designer de produtos, um professor…?

O Vítor é arquiteto. 43 anos. Pai de uma filha de 11. E sou apaixonado pelo meu trabalho. Uma boa parte da minha energia vou buscá-la ao Crossfit, modalidade que pratico. Quando tenho tempo, viajar está no topo das prioridades. Gastronomia. Design e amigos. Rir e partilhar. Este é o Vítor. Na realidade sou, ou já fui, tudo isso que descreve. Sou licenciado em Arquitetura pela FAUP. Fui professor também na FAUP, mas a dada altura tive de escolher o caminho a seguir. Hoje dedico-me de forma mais expressiva ao desenho de interiores.

O que lhe estimula a criatividade?

Tanta coisa. O primeiro fator de estímulo poderá ser o cliente, com o entusiasmo que possa trazer. Depois há um sem fim de coisas. O espaço, o terreno, um objeto ou até mesmo as condicionantes.

Há algum nome da arquitetura ou do design que admire particularmente e que o inspire?

Haverá muitos. Uns no todo da obra, outros em detalhes. Muitas vezes basta um registo visual. Um exemplo: o novo museu Yves Saint Laurent em Marraquexe, do Studio KO. Visitei-o ainda em construção e vim absolutamente inspirado. Inspiro-me muito na arquitetura brasileira, nomeadamente a de interiores. Uma das minhas referências incontornáveis do mercado brasileiro é o escritório Yamagata Arquitetura.

Já alguma vez teve de desistir de um projeto/design fabuloso por não ser exequível?

Nunca. Há sempre uma forma de resolver um tema. Sempre! Um dos caminhos é usar a criatividade a favor.

Há algum material com o qual goste particularmente de trabalhar?

Trabalho essencialmente com produção manual. Todas as peças têm sempre uma enorme componente artesanal. E como são maioritariamente peças únicas é desafiante explorar e vencer obstáculos que às vezes existem entre desenho e produção. Se elegesse um material seria a madeira.

Mantem alguma ligação afetiva com as suas criações depois de terminadas?

De uma forma geral sim. Lembro-me sempre de tudo o que foi feito. O ano e até quanto se gastou! Ainda tenho espaço para memorizar tudo isso! Normalmente os processos demoram algum tempo, pelo que também se criam laços de amizade com clientes.

Como nasceu o projeto eu.sei.que.vou.te.amar. (E.S.Q.V.T.A)?

No decurso do meu trabalho, fui tendo mais e mais solicitações para dar continuidade à obra, projetando e pensando também a decoração. Inicialmente desenhava apenas mobiliário. Hoje desenho todo o projeto de interiores, muitas das vezes também iluminação e acessórios. Por isso, em 2003 decidi abrir o meu primeiro showroom para ter um público mais abrangente.

O que o levou à abertura deste novo espaço e o que espera dele?

Com o passar dos anos, a enorme área de exposição do 1.º showroom deixou de fazer sentido. Quando o projetei era muito vocacionado para a venda de peças. Hoje em dia estamos muito mais vocacionados para o projeto, embora continue a haver uma exposição e a possibilidade de venda isolada. Este novo espaço racionaliza a área de exposição e amplia as zonas de trabalho. Espero que continue o crescimento que felizmente tenho conseguido ano após ano, sempre apaixonado pelo que faço.

O que há em comum entre as criações de Vítor Almeida e as obras dos outros autores que elegeu para coabitarem com as suas no showroom?

Com exceção dos tecidos e tapetes ou das obras de arte, coabitam com as minhas as peças da MUNNA e GINGER&JAGGER. O principal elo comum é a amizade entre dois apaixonados pelo design. Eu e a Paula Sousa, fundadora e CEO de ambas as marcas. A seguir talvez o orgulho de essas marcas serem 100% portuguesas, algo comum com o meu trabalho. Por fim, por ambas as marcas serem complementares com o que faço, sem que umas roubem espaço às outras.

Como definiria a “pegada criativa” de Vítor Almeida?

Diria que acima de tudo está a vontade e a satisfação do cliente. Diria que cada projeto terá a sua pegada criativa, definida por quem é o cliente e pelo espaço que nos dá para trabalhar. Há conceitos que se alinham em todos os trabalhos, muito rigor na execução, na escolha e coordenação de materiais, na preparação e humanização do ambiente final, mas não haverá nunca um elemento comum reconhecível. Todos os clientes são únicos, assim como os trabalhos produzidos.