josebartolo.jpg
| Por José Bártolo

INOVAÇÃO

Num contexto generalizado de desafios, o design está atualmente a ser colocado à prova. Colocado à prova do mercado e à prova da sociedade, que se transformaram rápida e profundamente e se caracterizam, ainda, pela sua inserção em processos de mudança em curso, ora mais efémeros (os chamados trends), ora mais estruturais.
A componente projetual do design exige da disciplina, mais do que capacidade reativa a estes fenómenos de mutação (crises, modas, ciclos), a proatividade necessária para conseguir introduzir soluções positivas quer para os problemas identificados, quer para os emergentes quer, ainda, para aqueles que podem, técnica ou criticamente, ser antecipados. 
A temática da responsabilidade social do design tem conhecido, na última década, diversas nuances. O tópico do social design é hoje, se comparado com o que se verificava no início do século, menos guiado por um regresso a princípios de universalidade do design moderno, busca utópica de um design ideal, e cada vez mais pragmático, orientado contextualmente, empenhado na procura de gerar inovação aqui e agora.
Inovação não deve ser confundida com novidade. A inovação implica necessariamente um alargamento de possibilidades, uma transformação positiva, seja ela de ordem científica, tecnológica ou social.

Inovação não deve ser confundida com novidade

Não estando dependente de outros meios ou recursos para além da criatividade, espírito crítico e talento projetual, a inovação social pode ser identificada como uma componente para a qual os designers e as instituições de design deverão ser responsabilizados. Esta responsabilidade, individual e coletiva (que deverá envolver as escolas, empresas, o estado), é inerente a uma autêntica cultura do design. Dela deve derivar o diálogo, a crítica, o contraditório e, igualmente, o consenso que convém ser gerado, a bem da responsabilidade e da esperança.