| Por Estela Ataíde

Thomas Dariel

"Criar algo para alguém é um ato gigantesco de generosidade"

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Nasceu em Paris, mas foi em Shangai que, em 2006, Thomas Dariel fundou o Dariel Studio e concretizou dezenas de projetos residenciais, comerciais e de hotelaria, como a Baccarat House, a Johnnie Walker House ou o restaurante The Fat Olive. Colhendo inspiração a Oriente e Ocidente para criar ambientes divertidos, o designer francês é dono de uma assinatura arrojada e desafiadora de clichés que já lhe valeu múltiplos prémios, os mais recentes atribuídos nos A&D Trophy Awards 2014 (pelo apartamento Beijing Fantasy) e nos Shanghai WOW! 2014 Best 50 (que considerou o Lady Bund o melhor novo restaurante na cidade).
Sempre em busca de novos desafios, Thomas Dariel pretende assinalar os dez anos do Dariel Studio com a abertura, em 2016, de uma sucursal em Nova Iorque. Entretanto, 2015 já ficou marcado pelo lançamento da primeira coleção da Maison Dada, a sua nova marca de mobiliário, iluminação e acessórios.
 
Nasceu numa família de designers de mobiliário, arquitetos e artistas. Quanto do legado da sua família influencia o seu trabalho?
A noção de legado tem estado no centro das minhas criações desde que comecei a criar. Sinto-me com sorte e honrado por ter vindo de uma família artística. Há, por vezes, alguma pressão, porque, quando acabo qualquer coisa, dou comigo a pensar se o meu avô ou o meu bisavô teriam orgulho em mim. Não em termos de reputação, mas em termos de criação, relevância e profundidade da criação. Influencia-me em termos de responsabilidade.



"O meu desafio consiste em combinar o gosto do cliente com a minha assinatura"    


 
Nascido e educado em Paris, por que escolheu Shangai para sedear o Dariel Studio?
Porque Shangai é um desafio extraordinário e uma escolha extraordinária para se fazer quando se é novo e se chega de Paris. E que país fantástico para crescer, aprender o nosso trabalho e descobrir que tudo é possível e que não temos necessidade de fronteiras! Precisamos de fronteiras para criar, é muito importante, mas somos nós que temos de criar as nossas próprias fronteiras, não os outros, nem a economia, nem o contexto, apenas nós. E a China ensinou-me isso, que tudo é possível e que podemos criar as nossas próprias fronteiras. Há dez anos, Shangai era uma cidade bastante nova, ingénua e tímida, mas agora é o centro da Ásia, é a encruzilhada de toda a gente no mundo.
 
Existe alguma diferença entre os mercados oriental e ocidental no que se refere ao design de interiores?
Sim e não. Em termos de custos seguramente que a China continua a ser muito interessante. Mas no fim de contas, todos os clientes são iguais. Na Europa, Portugal, França, Londres e China, todos fazem exigências e todos exigem o melhor. Todos contam com o mesmo, em termos de qualidade, execução, produção, profissionalismo, etc.. Em termos de mercado, tudo é diferente – a forma de construir, a forma como as pessoas trabalham, os custos de mão-de-obra, custos de construção… Tudo é, ainda, muito diferente.
 
O que o inspira?
As pessoas, a família… Tudo está relacionado com as pessoas. E, quando me re­firo às pessoas, refiro-me às relações entre as mesmas. Não entendo alguns designers que são muito arrogantes e egoístas. Para mim, é um disparate. Criar algo para alguém é um ato gi­gan­tesco de generosidade e de imaginação. Damos uma parte de nós mesmos a alguém.
 
Como definiria o seu estilo de design?
É um design sem fronteiras. A minha filosofia é a de tentar, sempre, dar o meu melhor, sempre a pensar produzindo e sempre a produzir pensando. Sou demasiado novo para afirmar que tenho um só estilo de design. O meu design é generoso certamente, sendo, por vezes, questionável, mas gosto de conhe­cer pessoas que não gostam do meu estilo, é interessante. Se alguém nos disser "pode fazer melhor", é uma porta aberta para podermos melhorar.
 
Qual é a sua prioridade: dar ao cliente o que ele lhe pede ou certificar-se que cada um dos seus projetos é fiel à sua assinatura, como designer?
Essa é uma questão muito interessante. O meu trabalho é ser capaz de ligar os dois e é por isso que é um desafio. O ideal seria poder fazer tudo o que quisesse, mas penso que é interessante ser-se desafiado pelo cliente. O meu desafio consiste em combinar o gosto do cliente com a minha assinatura.
 
O que o distingue, e ao Dariel Studio, dos outros designers de interiores?
Nunca desistimos. Nunca, nunca, desistimos.