| Por Estela Ataíde

MIMA

"A MIMA nasce com o intuito de democratizar a arquitetura"

Fotografia José Campos

Fotografia José Campos

Fotografia José Campos

Fotografia José Campos

1 de 3

60 dias, dois meses. É este o tempo que a MIMA demora para lhe entregar a chave da sua casa nova, construída de acordo com as configurações por si definidas. Fruto de processos rápidos e simplificados, as casas modulares MIMA colocam a arquitetura de autor ao alcance do cidadão comum, propondo-lhe um produto de qualidade flexível e financeiramente acessível.

A génese deste projeto, que já mereceu o prémio Edifício do Ano 2011 do site de arquitetura ArchDaily e até já deu origem a uma parceria com o reconhecido designer Philippe Starck, foi explicada à Trends pelos arquitetos Marta Brandão e Mário Sousa que, em 2011, se uniram ao engenheiro informático Miguel Matos, para fundar o grupo MIMA.

 

Fotografia por José Campos

Como nasceu o conceito MIMA?

A MIMA nasceu de uma pergunta - que arquiteto escolheríamos para conceber a nossa casa? Todos nós temos uma marca favorita de roupa, automóveis, computadores, mobiliário, relógios etc., mas nenhum de nós tem uma marca de arquitetura favorita. E porquê? Porque não existia. Não entendíamos porque é que os arquitetos não desenvolviam produtos e então decidimos ser nós a desenvolvê-los. A MIMA nasce com o intuito de democratizar a arquitetura, tornando-a fácil e intuitiva. É uma marca, que alia a qualidade construtiva à arquitetura de autor, e nasceu para ser um sistema universal, capaz de ser entendido por qualquer cultura e adaptado a qualquer ambiente.


Este tipo de habitações é o futuro?

O futuro da habitação passa pela qualidade arquitetónica e sobretudo pela simplificação de processos (atualmente ainda muito lentos e penosos). A MIMA é um sistema arquitetónico testado, com parâmetros claros que permitem um total controlo de tempo, custos e qualidade, aspetos aos quais a construção tradicional não consegue responder de forma efetiva.


Neste momento já têm disponíveis quatro produtos para habitação...

A MIMA desenvolve produtos que se aproximam de determinadas necessidades reais, tentando sempre não entrar em ‘modas’ e desenvolvendo produtos intemporais. A MIMA House foi o primeiro produto a ser desenvolvido, que se pretendia marcante e identificável. A MIMA Essential é uma depuração da primeira, mantendo as suas qualidades essenciais. A MIMA Light é ainda mais leve no preço e nas linhas, com 30 metros quadrados e pronta a pousar no terreno e pode vir a revelar-se popular no mercado de turismo. É arquitetura-escultura, inspirada nas esculturas minimalistas de Donald Judd. A MIMA Restart será dedicada à recuperação de casas, mas com algumas diferenças face à reabilitação a que estamos habituados. Em vez de reconstruirmos as casas, vamos aproveitar o charme existente, deixando a parte das ruínas que está bem conservada e que pode criar ligações interessantes com a nova estrutura. Este processo será bastante mais rápido e simples que a reconstrução tradicional.



Philippe Starck não só quis uma das vossas casas, como colaborou convosco para criar a MIMA Essential. Que impacto teve o reconhecimento por parte deste grande nome do design?

Para nós, a nível pessoal, teve um impacto muito importante. É uma pessoa que admiramos e respeitamos muito, tanto no que concerne às suas qualidades profissionais como intelectuais. Interessa-nos tê-lo como referência, independentemente do que uma associação ao seu nome nos possa trazer.


Apesar da simplicidade, as casas MIMA são ainda assim flexíveis, adaptando-se às necessidades e gostos de cada cliente, correto?

Tem sido interessante constatar que, apesar de todas partirem de uma base comum de design, cada casa que concretizamos acaba por ser muito diferente da anterior. Cada nova casa absorve e espelha os gostos e ambições de cada novo cliente e é particularmente interessante perceber a forma como os gostos dos clientes se fundem harmoniosamente com o nosso traço.


Apesar de ambos viverem na Suíça, optaram por sedear a MIMA em Portugal e produzir cá as casas. Porquê?

A qualidade de execução e o preço de produção que conseguimos em Portugal tornam a produção muito mais vantajosa do que em qualquer outro país europeu. Isso dá-nos a segurança de ter um produto de excelência a um preço convidativo, e também torna o nosso produto atrativo para clientes estrangeiros.


Entretanto acrescentaram mobiliário e até mesmo um protótipo de veículo ao vosso portfólio.

Acreditamos que a arquitetura não se esgota na produção de espaços. O caráter de um espaço é diretamente definido pelos objetos que o compõem e por isso pareceu-nos importante desenhar uma coleção de mobiliário que fosse coerente com a nossa imagem arquitetónica. O MIMA Car foi um produto mais experimental e que tem a ver sobretudo com a nossa experiência de viver na Suíça e de percebermos o potencial que um veículo ecológico – que pudesse ser utilizado durante todo o ano (com proteção contra frio e chuva), associado a um design apelativo –, poderia ter.


Que balanço fazem destes quatro anos da MIMA?

Houve um longo período inicial de pesquisa dos parceiros certos, dos materiais com melhor qualidade e durabilidade, dos melhores métodos de produção, de otimização dos processos de projeto e gestão a nível interno. Só recentemente começámos a ter uma ‘máquina’ com capacidade para produzir rapidamente um grande número de casas, com a qualidade que exigimos e que define a nossa marca. O último ano tem sido especialmente gratificante, pelo número de contactos e de novos e aliciantes projetos que nos surgem quase diariamente.


O que sonham para a MIMA?

Somos bastante ambiciosos e queremos transformar a MIMA numa marca de referência na venda de produtos de arquitetura de autor a nível mundial.