| Por Estela Ataíde | Fotografia BMW Group

Benoit Jacob

BMW i

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Tinha apenas 10 anos quando decidiu que seria designer de automóveis e não só viria a cumprir na íntegra o sonho de infância, como se tornaria no responsável criativo de uma das marcas mais inovadoras da atualidade no universo automóvel. Diretor do Departamento de Design da BMW i desde 2010, Benoit Jacob dedica-se diariamente a encarar a realidade com novos olhos, incentivando a equipa que dirige na BMW i a assumir a mesma atitude. Uma abordagem vencedora que já deu frutos: os dois primeiros modelos BMW i – o BMW i3 e o BMW i8 – já estão no mercado e foram criados de acordo com as regras fundamentais que conduzem a criatividade da equipa BMW i: zero emissões, leveza e o máximo de eficiência e sustentabilidade.

O que o preocupa mais quando concebe um carro? Sustentabilidade, segurança, desempenho?

Eu diria que as minhas principais preocupações se relacionam com a estética e o caráter. Como designers, pretendemos atrair o cliente e estas são definitivamente as principais questões que enfrentamos, quando damos início ao projeto. No entanto, temos que integrar muitos fatores no caráter e estética do design, tais como segurança, eficiência, desempenho, etc. É claro que a sustentabilidade tem um grande relevo, especialmente na BMW i. Como designers de carros, temos necessidade de um conjunto de restrições. Na verdade, o design nunca existe sem regras. A questão é a seguinte: essas regras são boas ou más? Na minha opinião, estas novas regras relativas à segurança e sustentabilidade são também uma forma de desafiar os designers de carros a apresentarem algumas respostas inovadoras e é isso que faz com que o design de carros se desenvolva.

 

Tendo em consideração a forma como os carros têm evoluído desde que foram inventados e a “perfeição” que apresentam hoje em dia, o que ainda pode ser melhorado?

Os carros são quase perfeitos na forma como são construídos. Por outro lado, ainda há espaço para os tornar mais perfeitos no que diz respeito ao meio ambiente e segurança e à forma como poderão contribuir para tornar os nossos dias e a nossa vida mais fáceis, no sentido em que assumem uma tarefa em nosso lugar – por exemplo, a condução autónoma, para que possamos fazer algo mais interessante durante o tempo em que estivermos presos no trânsito. Portanto, ainda existe espaço para melhorias.

O que muda no design dos carros da BMW i, por comparação com os carros “tradicionais”?

As regras com que jogamos: zero emissões, leveza e a maior eficiência e sustentabilidade possíveis. Este conjunto de regras dita a forma como são concebidos os carros da BMW i. 

 

Os primeiros carros produzidos pela BMW i são muito diferentes: o i3 é um utilitário elétrico e o i8 é um desportivo híbrido. Foi uma estratégia para mostrar ao mundo que os carros sustentáveis podem ter muitas formas diferentes?  

Foi essa exatamente a nossa estratégia, para dizer que o modelo de pensamento da BMW i pode adaptar-se a modelos muito diferentes. Embora, à primeira vista, estes carros sejam muito diferentes, se olharmos uma segunda vez, eles estão muito próximos um do outro, partilham os mesmos materiais, o mesmo motor.

 

Os modelos da BMW i são concebidos para um tipo específico de cliente?

Tenho o prazer de ter encontros regulares com os nossos clientes e consigo traçar o perfil de quem é realmente o cliente da BMW i. Esses clientes têm muitas coisas em comum: são pessoas que, normalmente, não têm nada a provar, já são bastante bem sucedidas, têm muitas vezes a sua própria empresa, têm visibilidade social, são curiosas e capazes de assumir alguns riscos. São, naturalmente, muito sensíveis à ideia da sustentabilidade. O que também tenho aprendido é que, por vezes, são os nossos melhores embaixadores, porque sabem tudo sobre o respetivo carro e sobre a marca e são verdadeiramente entusiastas.

 

Nesses contactos, os clientes da BMW i apresentam sugestões?

Sem dúvida, pedem-nos novos produtos. Têm também algumas críticas que, por vezes, podemos facilmente corrigir. Tenho o caso de um cliente do i8 que é muito interessante. O i8 é um carro desportivo, mas este cliente utilizava-o diariamente para se deslocar entre a casa e o local de trabalho, coisa que provavelmente não faria com um carro desportivo tradicional. O som do i8, no modo desportivo, é muito audível dentro do carro. É um som muito entusiasmante que vem do motor, mas com o tempo torna-se um bocado forte. E o que este cliente pedia era se havia um interruptor que pudesse ser instalado para desativar o som, sempre que ele se deslocasse entre a casa e o local de trabalho. Respondemos que sim, que isso poderia ser feito de uma forma relativamente rápida. E, portanto, temos muitos contributos dos clientes, o que é bom porque pode ajudar a tornar os nossos produtos melhores. 

 

E quando podemos esperar novos modelos da BWM i?

Certificar-nos-emos de que, ao longo do tempo, iremos trazer regularmente novos contributos à marca BMW i. Se se trata de um produto totalmente novo, ou de uma atualização de um modelo existente, é uma questão em aberto até hoje. O que posso confirmar é que não pretendemos parar por aqui, disso tenho a certeza.


Desde 2010 que tem sido o diretor do Departamento de Design da BMW i. Após cinco anos, como descreveria esta experiência?

Todos os dias vou trabalhar com o mesmo entusiasmo de há cinco anos. A função que desempenho é muito estimulante, porque todos os dias sou desafiado a procurar uma perspetiva diferente e a ajudar a nossa equipa a pensar da mesma forma. Tento trazer uma cultura diferente, que ajude a equipa a olhar para as tarefas que lhe foram atribuídas com novos olhos ou com uma mentalidade diferente, com uma mentalidade inovadora e, por vezes, disruptiva. É com isto que tenho que me preocupar, certificando-me de que as pessoas enfrentam estes desafios, ultrapassando-os na totalidade e de forma inteligente.