| Por Estela Ataíde

Paula Sousa

Urbanmint

Corria o ano de 2008 quando, no despertar da crise económica mundial, Paula Sousa se lançou sem medos na aventura de fundar a Munna, a primeira marca Urbanmint. O sucesso foi tal que, quatro anos depois, nasceria a Ginger & Jagger, segunda marca do grupo. Embora com conceitos diferentes, ambas partilham os valores que garantiram o sucesso aquém e além-fronteiras. Apostando na diferenciação pelo design, na produção artesanal e na qualidade, a Urbanmint conseguiu rapidamente conquistar o mercado internacional e, atualmente, destina ao mercado externo 95% da sua produção, que é exportada para 43 países. À venda em grandes armazéns como o incontornável Harrods, em Londres, e na mira das grandes marcas mundiais (a Dior selecionou peças Ginger & Jagger para decorar várias lojas), a Urbanmint conta atualmente com uma dedicada equipa de 12 elementos para levar as suas criações “made in Porto” cada vez mais longe.    

Fundou a Munna em 2008. Como justifica o sucesso de uma marca fundada precisamente no ano em que a crise “estourou” na Europa?

A máxima “a crise é um momento de oportunidades” aplica-se na perfeição. A Munna foi fundada em 2008 e num curto espaço de tempo alcançou projeção internacional. A presença regular em feiras internacionais do setor e a forte aposta na comunicação foram essenciais para a validação da marca junto dos designers de interiores, arquitetos, curadores, editores e do público das grande capitais de design como Paris, Milão e Londres.

 

Qual foi o trunfo da Munna?

A diferenciação foi determinante. A Munna alia a qualidade, o design e a inovação ao trabalho dos artesãos. Para além disso, segue as suas próprias tendências, as peças são elegantes e inspiradas nos períodos clássicos da modernidade, dos anos 1920 aos anos 1970, com materiais nobres como a pele e o veludo de algodão. 

Fotografia por Urbanmint

Fotografia por Urbanmint

Fotografia por Urbanmint

Quatro anos depois nasce a Ginger & Jagger. O que diferencia as duas marcas?

As marcas têm conceitos muito diferentes, que na verdade se complementam. O design da Munna é contemporâneo de inspiração vintage, com materiais e acabamentos de luxo que evocam uma certa nostalgia refrescante. A Ginger & Jagger surgiu da vontade de experimentarmos materiais e processos de produção tradicionais de uma forma inovadora. O cliente Ginger & Jagger não procura somente uma peça, mas uma narrativa. A primeira história que encontra é o facto de as peças serem produzidas manualmente em Portugal, de forma artesanal, utilizando madeiras exóticas e materiais nobres como cobre, latão e mármore.

 

E o que têm em comum?

Ambas partilham os mesmos valores, a diferenciação pelo design, pela produção artesanal e pela qualidade. A Munna e a Ginger & Jagger foram criadas para seguir as suas próprias tendências. A identidade das marcas e das peças é o reflexo de uma construção criativa que resulta da sinergia do trabalho dos designers e artesãos. Para além disso, todas as peças são desenhadas e produzidas em Portugal, de forma artesanal e manual.


Como se desenrola o processo criativo?

As duas marcas têm uma equipa pequena de designers internos muito talentosos, que têm estado com o desafio de um ritmo de lançamento de novidades muito acima da média da indústria. Todos na casa dos 20 anos e em colaboração estreita com artesãos com décadas de experiência. Há um processo de desenvolvimento fascinante, em que uns e outros quebram limites a cada novo design. Aquilo que ontem era impossível, hoje é só complexo de fazer. E amanhã integra a identidade da marca porque é único, ou nunca feito da mesma forma.

 

Ainda participa neste processo ou, com o crescimento do grupo Urbanmint, teve de abandonar esse papel?

Participo diariamente, felizmente! Design é oxigénio, se não fizesse parte do processo ou não o desejasse mudava de negócio. Para além de CEO da Urbanmint, sou diretora criativa de ambas as marcas. A criação das marcas e dos produtos tem o meu cunho, naturalmente. Mas há um trabalho diário de partilha de uma visão e de uma ideia de marca com os designers, marketing, comercial, produção, que é o que me dá mais prazer fazer. Construir marcas é um processo contínuo, nunca se abandona.

 

Para que países exportam atualmente?

Atualmente exportamos para 43 países. Cerca de 95% das nossas vendas são direcionadas aos mercados externos. Desde há uns anos, o Reino Unido, Arábia Saudita, França, Alemanha e EUA têm sido mercados importantes. Mais recentemente a Rússia, Singapura, Indonésia e Hong Kong têm ganho relevância para nós. O design é produto cultural, sim, mas a sua linguagem pode realmente ser universal.    

Fotografia por Urbanmint