| Por Estela Ataíde | Fotografia Philip Volkers

Louis Mariette

O mago da chapelaria

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Nascido no Malawi, Louis Mariette cresceu no Botswana e na Swazilândia, mas viajou um pouco por todo o mundo antes de se fixar em Londres e fundar, em 2007, a sua empresa de chapéus e acessórios de cabelo. Inspirando-se nas cores, formas e texturas de África, que combina com a irreverência sofisticada da capital inglesa, Louis Mariette imagina criações exuberantes e ousadas, que rapidamente se transformam no elemento chave de qualquer outfit.

Dedicando-se inicialmente a criar peças exclusivamente por encomenda, rapidamente o traço arrojado de Mariette se tornou numa referência no mundo da moda e, atualmente, a sua marca homónima disponibiliza também uma fascinante coleção ready-to-wear e uma elegante linha de acessórios para noivas, que espelham o espírito divertido e criativo do seu fundador.    

Por que razão escolheu centrar a sua atenção em chapéus/acessórios de cabelo em vez de noutro tipo de acessórios?

Uma mulher que entra numa sala a usar uma criação destas torna-se o centro das atenções. Porque está a tornar-se raro ver mulheres que usam peças de chapelaria, os observadores ficam intrigados com quem as usa, fazendo uma abordagem no sentido de estabelecer um diálogo e os homens têm sempre uma palavra de elogio. Por isso, adoro quando, no dia seguinte, recebo uma chamada da pessoa que usou a minha criação a contar como se sentiu emocionada. Para mim, é isso que a chapelaria deve ser — uma experiência agradável.

 

Ao contrário do que acontecia há algumas décadas, quando os chapéus eram usados diariamente, hoje são usados apenas em ocasiões especiais. Por que acha que isso aconteceu?

Os padrões de referência das melhores criações de chapéus fazem alusão à década de 1950, quando a indústria, em todos os seus aspetos, se encontrava em expansão. Até aí, havia uma incrível variedade de profissões que, por si só, eram necessárias para a produção de um chapéu. Poderia mesmo haver equipas de pessoas cujo único trabalho consistia apenas em tingir penas. Na década de 1960, houve uma mudança radical no estilo de vida, nas atitudes e também na moda. Foi uma década nova e excitante, mas, infelizmente, podemos dizer que essas mudanças deram início ao declínio da indústria.

 

Como é que uma marca como a sua sobrevive, considerando que este tipo de acessórios tem pouca utilização por comparação com outros?

Provavelmente, o principal problema na indústria da moda é a nossa atitude como consumidores. Queremos o mais barato e tornámo-nos numa sociedade do descartável. Com uma produção em massa emergente nos países fora do Reino Unido, os criadores de chapéus de menor dimensão, que produzem peças personalizadas, terão maior concorrência. Embora possa ser esse o caso, o Reino Unido tem orgulho em exibir criadores de chapéus excecionalmente talentosos, cujas criações afastam do caminho as peças de produção em massa, a que falta o toque pessoal de uma criação personalizada. O desenvolvimento mais emocionante para mim, como dono de uma empresa de pequena dimensão, tem sido a expansão das lojas de revenda online. Tanto em vendas como em marketing, a minha marca pode chegar a todos os cantos do globo. Se algumas portas se fecham, outras há que se abrem de par em par.

 

Qual o fator mais importante num acessório de cabelo?

É difícil indicar um, mas diria que são os enfeites e a passamanaria, visto que são eles que conferem o fator “uau”.

 

Os seus clientes dão-lhe liberdade de criação ou pedem exatamente o que pretendem?

Alguns clientes adoram a emoção de me deixar expressar toda a minha liberdade criativa, insistindo em que eu ultrapasse barreiras, experimentando técnicas fora do habitual. Isto pode ser muito divertido, pois a base do meu trabalho pode tornar-se um mini laboratório!    

Fotografia por Direitos Reservados