| Por Andreia Filipa Ferreira

Galula Studio

“Gostamos muito da ideia de minimalismo”

Fotografia

Fotografia

Fotografia

1 de 3

Numa pesquisa rápida pelo dicionário descobrimos que o nome ‘Galula’ se refere a “algo apetitoso para se comer”. Mas acalme-se o leitor porque a comida não tem lugar nestas páginas. Esta Galula traz-nos as peças divertidas e funcionais, apetitosas ao olhar, desenhadas pela dupla de designers Filipa Mendes e Gustavo Macedo. Com cerca de três anos, a marca de mobiliário com produção Made In Portugal tem provocado sorrisos com os seus produtos de caráter bem-disposto e descontraído. Tentando combinar o melhor da funcionalidade e da estética, o estúdio do Porto tem partido à conquista da Europa, na esperança de, nos próximos anos, obterem resultados ainda mais… apetitosos.

Orgulhosamente, dizem que a marca é um reflexo das vossas personalidades. O que significa isso, em termos práticos?

Até então, todas as peças da Galula são desenhadas por nós e assinadas como Mendes’Macedo. Queremos que as peças que compõem a coleção reflitam uma identidade própria e, para a construção dessa identidade, temos em conta o nosso sentido estético, o nosso modo de estar e de viver, que dará origem a peças descontraídas, cheias de cor e com um espírito divertido – que gostamos de pensar que temos!

 

A funcionalidade e a diversão são duas características principais dos vossos produtos. É como se tentassem mostrar que o design de produto pode ir muito além dos conceitos traicionais?

Sim, é esse o nosso mote. Tentamos sempre dar às peças uma ou várias características que as possam distinguir, seja por ser modular e dar uma vertente contemporânea à cortiça, como é o exemplo do banco Três, seja pelo caráter divertido que dá aso a vários sorrisos, como é o caso do móvel Tio.

 

Onde se inspiram para criar?

A primeira inspiração é sempre a componente funcional da peça. Se, por exemplo, for uma peça para sentar tentaremos que cumpra essa função da melhor maneira possível. Aliada à função surge a nossa personalidade e o nosso sentido estético. Gostamos muito da ideia de minimalismo.

 

Tendo em conta que são uma dupla, é difícil alcançar um consenso em termos de ideias?

Nem sempre estamos de acordo e ainda bem! (risos). Existe sempre uma discussão saudável para tentar vingar a ideia de cada um, mas é nesse processo que se atingem as melhores ideias e a identidade única.

 

Já foram reconhecidos com alguns prémios. Um dos mais recentes foi em 2014 com o candeeiro Glint. Como descrevem este produto?

O candeeiro Glint espelha muito o que queremos para a marca, graças à diferença que carimba em termos de forma e funcionalidade. É um candeeiro versátil, composto por duas peças: uma base metálica que serve para conter livros, revistas ou pequenos objetos e um ponto de luz portátil em cortiça que contém dois ímanes que permitem a magnetização em qualquer superfície metálica. Nesta peça vincamos duas funções – a de arrumação e a de iluminação - numa simbiose perfeita.

 

Há algum produto que represente, em todas as vertentes, o conceito Galula?

Todos os produtos nos deixam orgulhosos, mas o que deu mote à marca foi o móvel Tio. Sempre que o apresentamos em qualquer exposição é sempre o que mais suscita reações, fazendo as pessoas sorrirem. É este o espírito e a reação que queremos para as nossas peças, ou seja, que acima de toda a funcionalidade tenham um caráter divertido.

 

Em termos de expansão internacional, qual é o balanço que fazem da marca?

O nosso mercado é maioritariamente internacional, cerca de 90%. No ano passado marcámos presença na feira londrina Tent London, conseguindo assim marcar alguma posição no mercado inglês. Essa é uma feira que vamos repetir este ano. Queremos também expor, em janeiro, na Maison & Objet e começar a cimentar ainda mais o mercado europeu. A longo prazo, pensaremos no mercado fora da Europa.

 

A expansão passa então pelos planos futuros para a Galula?

Sim. Expandir a linha de produtos e expandir o mercado. A pensar no mercado da hotelaria, vamos lançar este ano uma linha de bancos, por exemplo. Vamos também alargar o tipo de produtos de modo a conseguir preencher uma casa com produtos Galula e fazer ‘A casa Galula’, assim como ‘O escritório Galula’, com a esperança de que os produtos apetitosos invadam as casas pelo mundo fora! (risos)