| Por Andreia Filipa Ferreira

Vespa

70 anos de um ícone

1 de 3

Os traços são harmoniosos, assim como as cores que pintam os seus corpos robustos mas elegantes. Cada detalhe parece ter sido desenhado sabendo que, mais do que um veículo, aquele objeto futurista que surpreendeu os olhares obstinados de 1946 se tornaria num ícone. Um ícone que marcaria gerações e uniria jovens de diferentes origens e culturas em torno de uma única paixão: acelerar pelas estradas do mundo em duas rodas que, com o tempo, se eternizariam como símbolo de arrojo e alegria de viver. Consagrada como uma verdadeira cidadã do mundo, tendo marcado a história do design, do motociclismo e até das cidades do século XX, a Vespa nasceu há 70 anos, sob alçada do grupo Piaggio, na comuna de Pontedera, em Itália. Hoje, com as adversidades do contexto pós-guerra deixadas no passado, a marca global, facilmente identificável pelo seu escudo frontal, conta mais de 150 modelos, versões ou variações diferentes e 18 milhões de unidades comercializadas.

Como todas as histórias de sucesso, a Vespa viu o seu início marcado por desafios. Durante a II Guerra Mundial, a Piaggio era uma das mais conceituadas empresas italianas no ramo da construção de aviões e, por isso, um alvo militar irrevogável. As suas fábricas em Génova, Finale Ligure e Pontedera foram danificadas e um processo de reconstrução era necessário para reiniciar a produção. Enrico, filho de Rinaldo Piaggio, ficou encarregue pela fábrica de Pontedera, usando a sua intuição para uma viragem industrial, focando-se na área da mobilidade pessoal (a parte do negócio aeronáutico ficou a cargo do seu irmão, Armando Piaggio). Inspirado no sistema de Henry Ford, numa tentativa de produzir objetos utilitários e baratos que cativassem a atenção do maior número de compradores, Enrico viu no designer aeronáutico Corradino D’Ascanio um aliado extraordinário. Na realidade, em 1944, um protótipo de um pequeno motociclo conhecido como MP5 – cuja alcunha era Paperino – tinha sido produzido por dois engenheiros, mas aquela primeira tentativa, já com o escudo protetor na dianteira, não agradou a Enrico, que rapidamente pediu a D’Ascanio para redesenhar o modelo. Mesmo preferindo os aviões, achando que as motas eram feias, barulhentas e sujas, o designer avançou com o projeto, aplicando-lhe os seus conhecimentos de aerodinâmica. Não é à toa que as primeiras Vespa apresentadas ao mercado tivessem traços visíveis do design dos aviões.

Com o passar do tempo, a Vespa – nome atribuído por Enrico Piaggio, graças ao barulho que o motor da scooter produzia, similar ao insecto – foi conquistando as massas, mas também as elites, especialmente após Hollywood se render aos seus encantos. Recorde-se os filmes Férias em Roma ou La Dolce Vita, por exemplo. Nos dias que correm, a marca continua a surpreender os apreciadores com modelos revivalistas e, ao mesmo tempo, adaptados aos conceitos estéticos atuais. Basta observar as edições lançadas este ano, em jeito de comemoração pelas sete décadas da lendária scooter, em que a Vespa disponibiliza versões exclusivas e personalizadas da jovem e irreverente Primavera, da potente e desportiva Vespa GTS e da intemporal e inimitável Vespa PX.